Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes

Caso Araceli: crime prescrito, ferida ainda aberta
Vemos com muita veemência nas redes sociais uma quantidade significativa de pessoas clamando o retorno do militarismo no Brasil. Justificam com inverdades históricas, afirmando por exemplo que não havia violência como atualmente. Nascida em 1960, eu vivi integralmente esse período nefasto de nossa História. Posso afirmar que, embora à ocasião vivesse sob alienação(como a maioria do povo brasileiro), abri meus olhos nos anos 90 quando retornei à faculdade, graduando-me como professora e historiadora. Sou capixaba, como a menina Araceli, que aos 8 anos de idade foi estuprada, torturada e assassinada. Seu corpo foi seccionado e jogado em um matagal, com cortes comprovadamente cirúrgicos, de acordo com a perícia.
Eu tinha 13 anos quando ocorreu esse fato em minha cidadade natal. Foi uma comoção social incrível. Qualquer menina poderia ter sido a vítima escolhida e isso colocou muito temor nos pais ao nos enviar para a escola. Lembro-me do perito Carlos Éboli (hoje falecido) que foi do Rio de Janeiro para Vitória e acompanhou o caso por anos. Trabalhei na imprensa capixaba e acompanhei os esforços do falecido vereador Clério Vieira Falcão e do jornalista Pedro Maia, para não deixar que esse caso caísse em esquecimento, mas, foi tudo em vão... Apesar de ser um fato lastimável, serve para refrescar a memória daqueles que afirmam que o Brasil do militarismo era uma maravilha, sem escândalos, sem corrupção, sem crimes... As barbaridades eram apenas CALADAS! Veja o laudo cadavérico e reportagens da época:
A seguir, a íntegra, de texto que recebi de Madalena Marques da Motta, amiga no Facebook:
“Faz 49 anos que a pequena Araceli foi brutalmente assassinada. Um dos horrores abafados pela Ditadura Militar. Araceli Sanchez tinha apenas oito anos quando foi estuprada e morta, no Espírito Santo, em 1973. Depois de um dia na escola, voltando pra casa, foi convidada para dar um passeio com Paulo Constanteen. Atraída e coagida, Araceli aceitou. Foi drogada por ele e passou dois dias mantida em cárcere. Teve peito, barriga e vagina dilacerados por mordidas e agressões; o queixo, deslocado a golpes; o rosto desfigurado com ácido. Paulo Constanteen Helal e Dante Michelini foram apontados como suspeitos do crime. Mas nada aconteceu. A dupla foi absolvida: seus familiares eram pessoas influentes e ligados à ditadura militar. Para Araceli? A morte. Para os suspeitos? Honra. Anos depois, Paulo Helal recebeu honrarias da Assembléia Legislativa de seu estado por ser o primeiro maçom do Espírito Santo. A via mais famosa da cidade, onde Araceli foi morta, chama-se Avenida Dante Michelini. O processo segue arquivado pela Justiça. Em memória de Araceli, o dia 18 de maio foi instituído como O Dia Nacional do Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.”

Como citar essa publicação
ARAUJO E SOUZA, Maria de Cássia. Café: o ouro negro do Brasil. 
Disponível em: https://tocdemestre.blogspot.com/2022/05/abuso-sexual-infantil-e-juvenil.html
Acesso em: ___/___/___

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